“A importância do Porco de raça Alentejana é muito anterior à existência de reis em Portugal e o seu papel no aproveitamento do Montado é indesmentível” começa por evidenciar Rui Charneca, professor do Departamento de Zootecnia e investigador do MED, da Universidade de Évora. “Embora por vezes designado como Porco Preto, a verdadeira designação é esta de “Porco de raça Alentejana”, já que porcos pretos podem ser vários, que não têm as características únicas deste porco alentejano” chama a atenção o mesmo investigador da academia alentejana.

O investigador desafia a conhecer mais sobre o Porco de raça Alentejana, a sua fileira de produção e as suas qualidades em sete tópicos que considera serem os fundamentais:

1. Desde o tempo dos Romanos

O Porco Alentejano criado no Montado, descendente doméstico do javali mediterrânico, tinha grande importância já nos tempos de domínio Romano na Península Ibérica, e há relatos escritos dessa época sobre a sua produção e consumo. Já na época, os produtos transformados como os presuntos e enchidos eram caros, e essencialmente consumidos pelas classes altas da sociedade.

2. Resistiu à ocupação árabe

A produção e consumo de Porco de raça Alentejana resistiu ao período de ocupação árabe e atingiu o apogeu no século XIX e na primeira metade do século XX, onde mais de 50% da carne suína consumida em Portugal era proveniente dos Montados Alentejanos.

3. Quase em extinção no séc. XX

O declínio na segunda metade do século XX, que quase levou à extinção do Porco Alentejano, foi determinado por muitos fatores externos. Salientam-se a diminuição da área de Montado, para intensificação da agricultura, falta de mão-de-obra e despovoamento da região, mudança de hábitos alimentares fruto das campanhas contra as gorduras de origem animal, intensificação da suinicultura “sem terra” com uso de raças magras e produtivas, e, por fim, pela Peste Suína Africana.

4. Ressurgimento no final do séc. XX

Nos finais do século XX assistiu-se a um ressurgimento do Porco Alentejano impulsionado i) pela vontade e interesse dos criadores “resistentes”, ii) pelos consumidores, descontentes com as baixas qualidades organoléticas da carne da produção intensiva, iii) pela opinião pública em geral, descontente com as consequências ligadas ao bem-estar animal e ambientais da suinicultura “sem terra”, iv) as entidades públicas e académicos apostados em recuperar uma raça e uma fileira de produção que começava também então a ser apoiada efetivamente pela União Europeia.

5. Produção Sustentável ligada ao Território

A produção do Porco Alentejano está ligada ao território e é sustentável, na medida em que são aproveitados recursos alimentares renováveis, mantêm o Montado não afetando nem a sua biodiversidade nem a regeneração do coberto arbóreo, suporta atividades económicas localizadas de elevado valor acrescentado ligadas à transformação do produto, e preserva uma cultura ancestral ligada à produção e transformação contribuindo assim para a valorização de áreas desfavorecidas da Europa.

6. Qualidade reconhecida

 O sistema de produção do Porco Alentejano é em Portugal o que resulta em maior número de produtos com proteções europeias (5 DOP e 23 IGP). Implica a emblemática “Montanheira”, período de engorda em pastoreio nos Montados de Azinho e Sobro no Outono e Inverno. Cada porco pode chegar a comer cerca de 10kg de bolota e 2 kg de erva por dia. É o animal que mais eficientemente transforma os alimentos que ingere em substâncias nutritivas utilizáveis pelo Homem.

7. Benefícios para a Saúde

 As qualidades organoléticas da carne e produtos transformados são conhecidas e valorizadas pelo interesse gastronómico. Está também comprovado que o consumo moderado desta carne e gordura monoinsaturada contribui favoravelmente para a regulação do colesterol, com consequências benéficas na prevenção das doenças cardiovasculares.

Concluindo, a produção do Porco de raça Alentejana, o Rei do Montado é sustentável, favorecendo a integridade e a rentabilidade do seu “Reino”, dá origem a produtos alimentares de reconhecida qualidade sensorial e dietética e favorece o desenvolvimento económico e cultural do Montado.

Fonte: Nota de Imprensa / Universidade de Évora

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