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Telefonia do Alentejo

Programa em parceria com a Unidade de Saúde Pública do ACES do Alentejo Central

Cancro, preservativo, amor e doença coronária estiveram em destaque na RTA

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação

08 Março 2018

A Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central propôs mais quatros temas para serem abordados no programa realizado em parceria com a Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), na última quinta-feira de cada mês.
Em fevereiro, os dias temáticos escolhidos estiveram associados ao cancro, ao preservativo, ao amor e ainda à doença coronária.
Esta sessão contou com a presença do médico de saúde pública Augusto Santana Brito; a médica interna do 1.º ano de saúde pública Vera Pessoa; e as enfermeiras Rita Leão e Conceição Pimenta.
A conversa começou com Vera Pessoa que destacou o Dia Mundial da Luta contra o Cancro, assinalado a 4 de fevereiro.
Recordou que “o cancro é considerado uma das principais causas de morte no mundo, morrendo todos os anos cerca de nove milhões de pessoas vítimas da doença”.
A médica interna focou que “nos últimos anos temos assistido, à semelhança do que se passa no resto da Europa, a um aumento regular da incidência do cancro em Portugal, estimando-se que morram 70 pessoas por dia com cancro no nosso país, o que equivale a um total anual de cerca de 26 mil óbitos”.
Alertou ainda que “apesar de haver cancros de causa natural, genética e hereditária, uma grande parte pode ser prevenida, tornando-se fundamental a modificação dos estilos de vida, nomeadamente através da diminuição do tabagismo, da redução do consumo de álcool, da diminuição da exposição solar e da adoção de hábitos alimentares saudáveis, por forma a reduzir o excesso de peso e a obesidade”.
Para além disso, Vera Pessoa apontou a “importância” da deteção precoce. “Na sua generalidade, a prevenção secundária através de rastreios assume uma extrema importância sobretudo pelo impacto significativo que pode ter na redução da incidência de determinadas doenças e na redução da morbimortalidade causada por essas mesmas doenças”, disse a médica interna.
Especificou que “no nosso país, os programas de rastreios oncológicos de base populacional, evoluíram significativamente a partir do ano 2016, com expansão da cobertura geográfica, aumento do número de utentes rastreados e melhoria significativa das taxas de adesão”.
Relativamente ao Alentejo, Vera Pessoa referiu que “temos o rastreio do cancro da mama, o rastreio do cancro do colo do útero e o rastreio do cancro colo retal”.
Em termos de prevenção primária, lembrou que, “no que diz respeito ao cancro do colo do útero, posso ainda acrescentar que existe a vacina contra o HPV, que não previne contra todos os genótipos do vírus, mas que previne contra os mais frequentemente causadores deste tipo cancro e contra os mais agressivos, sendo esta vacina administrada de forma gratuita a raparigas com 10 anos de idade”.
Por sua vez, a enfermeira Rita Leão pôs em destaque o Dia Internacional do Preservativo, comemorado a 13 de fevereiro.
Em primeiro lugar, realçou que “estima-se que o preservativo tenha sido inventado há 700 anos, tendo havido uma evolução ao longo destes anos, sobretudo ao nível dos materiais”.
Exemplificou que “só nos anos 30 do século XX é que o látex foi sendo cada vez mais usado e, agora, os preservativos têm várias cores, sabores ou texturas”, constatando que “existem preservativos masculinos e preservativos femininos”.
De acordo com Rita Leão, “o uso do preservativo previne uma gravidez não desejada e as infeções de transmissão sexual, como HIV, clamídia, gonorreia, entre outras”.
Durante a conversa, a enfermeira tentou ainda desfazer o mito de que os preservativos reduzem o prazer sexual. “Um estudo da Universidade do Indiana, nos Estados Unidos, garante que o preservativo não reduz o prazer durante a relação sexual”, focou, salientando que “nesse estudo, ainda que alguns tenham demonstrado preocupação acerca do impacto do preservativo no prazer sexual, a maior parte acabou por relatar o sexo com preservativo como sendo 'tão excitante e prazeroso' como o sexo sem proteção”.

“Continuam juntos até que a morte do amor os separe”.

Já o médico de saúde pública Augusto Santana Brito falou sobre o Dia dos Namorados, celebrado a 14 de fevereiro. A este respeito, evidenciou que “o amor é um estado de alma que podemos encontrar ao longo dos tempos, em todas as culturas, e que se expressa de forma semelhante desde que o Homem é Homem”, esclarecendo que “isto é explicado pelo facto de o amor romântico que nos estimula e maravilha ser o resultado da ação de um conjunto de químicos produzidos pelo nosso cérebro”
O mesmo médico salientou que “aquilo que nos leva a escolher este indivíduo em particular e não outro é algo que tem sido investigado e pode estar relacionado com o aspeto físico, raça, cultura, estatuto social, entre outros, embora outras hipóteses estejam a ser estudadas”.
Quanto àquilo que nos leva a procurar o outro, explicitou que “são os químicos cerebrais que, na puberdade, dão ordem para o início da produção das hormonas sexuais, sendo esta fase chamada de 'desejo' ou 'paixão erótica' pelos investigadores”.
Augusto Santana Brito precisou que “depois passamos à fase de atração ou 'paixão romântica'”, descrevendo que “é uma fase de autêntica obsessão, em que os amantes não vêm, nem ouvem mais ninguém a não ser eles próprios”.
Revelou que “se tudo isto resultar e se mantiver (químicos libertados pelo cérebro durante a relação sexual garantem que a coisa vai continuar) entramos na terceira fase, dita de 'ligação ou compromisso'”.
O mesmo médico referiu que “é nesta fase que muitas pessoas decidem ter filhos e é também nesta altura que, desfeito já o véu mágico da paixão, as pessoas se confrontam com a realidade do outro”, concluindo que “continuam juntos até que a morte do amor os separe”.
A 14 de fevereiro foi assinalado também o Dia Nacional do Doente Coronário, tendo sido esse o tema escolhido pela enfermeira Conceição Pimenta.
Segundo a mesma especialista, “considera-se doente coronário aquele que sofre de insuficiência cardíaca crónica, um problema que na sua forma aguda, afeta dez mil portugueses por ano”, explicando que “a doença coronária é provocada pelo estreitamento das artérias coronárias, devido ao desenvolvimento de placas de aterosclerose no seu interior”.
Sustentou que “o depósito de gorduras e outras substâncias na parede das artérias coronárias leva à formação de placas que estreitam os vasos impedindo a normal circulação sanguínea no seu interior e a correta irrigação do coração”.
Em relação a números, Conceição Pimenta anunciou que “a Fundação Portuguesa de Cardiologia refere que, em 2012, ocorreram em Portugal 23 mil mortes por doenças cardiovasculares, das quais 16 mil por AVC e 7000 por enfarte do miocárdio”.
Relativamente aos sintomas, “a doença pode manifestar-se por uma dor torácica passageira, denominada de angina de peito, que resulta de um défice transitório na irrigação do miocárdio, ou por uma situação mais grave, o enfarte do miocárdio, em que o défice de irrigação é mais prolongado, resultando daí a necrose ou morte de células musculares cardíacas da região afetada”, focou.
A mesma enfermeira alertou que, “por vezes, as lesões provocadas são de tal maneira graves que delas resulta a morte súbita, a terceira forma mais comum de aparecimento da doença coronária”.
No que diz respeito ao tratamento, garantiu que “assiste-se a grandes avanços na terapêutica da doença coronária, mas a morbilidade e mortalidade mantêm-se elevadas, daí a importância da prevenção”.
A esse nível, Conceição Pimenta aconselhou que “devemos alterar comportamentos que desencadeiam doenças cardiovasculares, nomeadamente o tabagismo ativo e passivo, alimentação inadequada e falta de exercício físico”, reforçando “a necessidade de apostar numa alimentação saudável”.

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