Telefonia do Alentejo

Em parceria com a Unidade de Saúde Pública do ACES do Alentejo Central

O amor, a justiça social e o pensamento ganharam “voz” na RTA

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

22 Abril 2019

O Dia de São Valentim, em que se celebra o amor; o Dia Mundial da Justiça Social e o Dia Mundial do Pensamento foram as datas escolhidas pela equipa da Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central, para o programa emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA).
Estas questões foram tratadas pelo médico especialista de saúde pública Augusto Santana Brito e pelos estagiários de Psicologia do ACES, Patrícia Barroso e Pedro Fraústo.
O Dia de São Valentim, mais conhecido pelo Dia dos Namorados, é um dos que mais facilmente se identifica no calendário, sendo celebrado a 14 de fevereiro.
Aproveitando esta data, Patrícia Barroso começou por referir que “todos sabemos o que é o amor, mas é difícil defini-lo, até porque todas as pessoas sentem amor de forma diferente”.
Nesse sentido, adiantou que “houve um psicólogo norte-americano, Robert Stenberg, que formulou uma teoria e defendia que o amor englobava três componentes distintas: intimidade, a paixão e o compromisso”.
A estagiária de Psicologia explicou que “a intimidade é de caráter mais emocional, e inclui a proteção e a necessidade de estarmos perto do outro, existindo então uma relação de confiança mútua”.
Revelou que “a paixão baseia-se essencialmente na atração física e envolve um sentimento fortíssimo de querer estar com o outro”, focando que “o compromisso é a expectativa de que o relacionamento dure para sempre, havendo uma intenção de comprometimento recíproco”.
Uma das distinções feitas por Patrícia Barroso foi entre o amor e a paixão. Disse que “quando estamos apaixonados os 'defeitos' não aparecem e surge a vontade de querer estar sempre com o outro”, constatando que “o amor é diferente porque começa-se a aceitar o outro como ele realmente é e fica-se a conhecer os defeitos da outra pessoa, mas mesmo assim escolhe-se partilhar a vida ao lado dela”.
Patrícia Barroso esclareceu que “o cérebro é o responsável pelas diversas transformações que o nosso corpo passa quando vivenciamos o amor, pois lança uma série de hormonas quando estamos apaixonados”.
Recordou que “uma hormona chamada dopamina é responsável por fazer o coração bater mais depressa e aumentar a vontade de estar sempre por perto da pessoa amada”.
Referiu que “com o passar do tempo, a tendência é que o casal se torne menos obcecado um pelo outro e começa-se a produzir a hormona serotonina”, apontando que “o aumento da serotonina ajuda a desenvolver uma ligação menos dependente e mais confiante que prepara os casais para relacionamentos duradouros”.
Patrícia Barroso assegurou que “quanto mais um relacionamento dura, menos dopamina é libertada no organismo, mas isso não significa que o vínculo entre as pessoas se esteja a perder, pois uma molécula chamada fator de libertação de corticotrofina ajuda a manter os casais unidos”.
Mas é amor é sempre uma coisa boa? “Biologicamente, o amor desenvolve no ser humano hormonas que causam euforia, felicidade, aceleração no batimento cardíaco e prazer”, contou, alertando, contudo, que “é possível que o amor gere sensações negativas e dependência psicológica, e nesses casos, torna-se numa doença, o amor patológico, sendo a psicoterapia um instrumento importante para ajudar nesses casos”.
Passámos depois para o Dia Mundial da Justiça Social, assinalado a 20 de fevereiro. O médico Augusto Santana Brito lembrou que “o tema deste ano foi 'Se quer paz e desenvolvimento, trabalhe por justiça social'”.
A Organização das Nações Unidas (ONU) define justiça social como “'a justa distribuição dos frutos do crescimento económico. A justiça social não é possível sem fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas'”, mencionou o mesmo médico.
Na sua opinião, “não se pode dizer que haja justiça social se, por exemplo, 20 por cento da sociedade auferir mais de 5000 euros por mês e 80 por cento viver com menos de 500 euros mensais”.
Referindo um estudo de 2018, o especialista constatou que “os dez por cento no topo concentram mais de 70 por cento da riqueza mundial; os 40 por cento do meio detêm menos de 30 por cento; e os 50 por cento mais pobres detêm menos de dois por cento da riqueza mundial”.
Focou também que “a ONU afirma que 'a justiça social é um princípio subjacente para a coexistência pacífica e próspera dentro e entre as nações'”.
Em termos históricos, Augusto Santana Brito recordou que “o conceito de justiça social surgiu em meados do século XIX para fazer referência à necessidade de alcançar uma repartição equitativa dos bens sociais”.
E qual a relação da justiça social com a saúde? O mesmo médico evidenciou que “a Conferência Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais, ratificada por 160 estados em 1966, define direitos essenciais para todos os seres humanos: direito ao trabalho, à segurança, à educação e à participação na vida cultural e o direito de qualquer ser humano aos mais altos padrões de saúde física e mental”.
Idealizou ainda “um mundo onde a saúde é socialmente maximizada, onde todos os seus elementos trabalham para reduzir as desigualdades, onde a responsabilidade pessoal é aceite, onde as necessidades básicas são satisfeitas, nomeadamente o acesso a cuidados de saúde”.
Augusto Santana Brito foi mais longe e imaginou “um mundo onde o conceito 'De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades' fosse uma realidade”.
Por último, o também estagiário de Psicologia Pedro Fraústo deu “voz” ao Dia Mundial do Pensamento, comemorado a 22 de fevereiro.
“Podemos definir o pensamento como a capacidade racional de questionar e resolver problemas, que é tão característica do ser humano”, destacou, relembrando que “se pensarmos em termos de evolução, esta capacidade de raciocinar e comunicar com os outros foi fundamental para a nossa sobrevivência”.
De acordo com o estagiário de Psicologia, “existem dois objetivos práticos do pensamento, que são comunicar e criar”.
E quanto à relação entre o pensamento e a Psicologia? Pedro Fraústo constatou que “a Psicologia Cognitiva é uma variante da Psicologia dedicada ao estudo de processos mentais, como por exemplo, a memória, a atenção, a perceção e até a tomada de decisão”, dizendo que “todos estes processos mentais são parte funcional do que geralmente consideramos o pensamento”.
Realçou que “as investigações nesta área ajudam-nos a compreender como as pessoas percecionam a realidade, como guardam e recuperam informação na sua memória e como estes processos se relacionam com o seu comportamento, dificuldades emocionais e outras perturbações psicopatológicas, como a esquizofrenia, ou neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Na sua perspetiva, “apesar de não ser correto dizer que os pensamentos estão doentes, eles são uma manifestação de que existem problemas emocionais que estão relacionados com a história de vida da pessoa e com as suas experiências”.
Nestas situações, poderá ser então importante o trabalho do psicólogo e da psicoterapia. Pedro Fraústo frisou que “existem diferentes psicoterapias, como as que mudam o pensamento de forma mais direta que outras; umas que se centram mais nos aspetos cognitivos; e ainda outras mais focadas na relação que se constrói entre a pessoa e o psicoterapeuta”.
Para terminar, o estagiário de Psicologia enumerou algumas dicas para “um pensar mais saudável”.
Afiançou que “contemplar o que se passa à nossa volta e o que estamos a viver é importante para um equilíbrio no pensamento”.
Para além disso, Pedro Fraústo sustentou que “é necessário duvidar e sabre viver com a incerteza”.
Por fim, aconselhou a “cuidar da nossa saúde”, lembrando que “ter uma boa alimentação ou fazer exercício com regularidade é tão importante como exercitar as nossas capacidades mentais ou passarmos tempo de qualidade com a família e com os amigos”.

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