Telefonia do Alentejo

“Saúde Mental sem Tabus” na RTA

Como combater o estigma na doença mental

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

22 Abril 2019

O estigma na doença mental foi o tema escolhido em fevereiro para o programa “Saúde Mental sem Tabus”, emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), em parceria com a MetAlentejo – associação para o bem-estar psicossocial da comunidade.
Para falar sobre este tema, contámos com a participação de Teresa Reis, psiquiatra no Hospital do Espírito Santo de Évora e vice-presidente da Direção da MetAlentejo, e de Rodrigo Pires, psicólogo nesta mesma associação.
De acordo com Teresa Reis, “a doença mental, pela dificuldade na demonstração cabal da existência de um diagnóstico, mas também pelas características atípicas de alguns dos sintomas, é frequentemente incompreendida, levando a que as pessoas que sofrem de doença mental sejam estigmatizadas e discriminadas”.
Segundo a psiquiatra, tais situações levam “a consequências diretas a vários níveis, nomeadamente no funcionamento e integração na comunidade, não só dos doentes, mas também das suas famílias; ou no seu acesso aos cuidados adequados, que acaba muitas vezes por ser protelado pela vergonha em admitir este tipo de problemáticas”.
Nesse sentido, adiantou que “considerámos que ter um programa especialmente dedicado à problemática do estigma poderá contribuir para alertar os nossos ouvintes quanto à importância de aceitar a diferença, não só na saúde, mas também na doença”.
No que diz respeito a números, Rodrigo Pires revelou que “estima-se que na Europa, uma em cada seis pessoas tenha um problema de saúde mental, perfazendo um total de 84 milhões de pessoas afetadas por estes problemas de saúde”, referindo que “Portugal ocupa o quinto lugar dos países com maior prevalência de problemas de saúde mental”.
Considerando estes números, mas também o impacto que as doenças mentais têm na vida dessas pessoas e na daqueles que convivem com elas, torna-se pertinente focar a questão do estigma e das repercussões que o mesmo pode ter.
Rodrigo Pires salientou que “quando falamos de estigma referimo-nos a discriminação, isto é, atitudes, ideias ou comportamentos negativos face a pessoas com problemas de saúde mental”.
Exemplificou que “uma crença estigmatizante é a de que as pessoas que sofrem com esquizofrenia são perigosas e precisam de estar fechadas para sua segurança e dos outros”, explicando que “chamamos a isto, o 'estigma público', por ser uma ideia geral presente numa comunidade”.
O psicólogo recordou que “alguns problemas de saúde mental têm manifestações atípicas e todo o tipo de reações de sofrimento fora daquilo que é tido como 'normal' é desconhecido, incompreendido e, portanto, mais propenso a ser visto como imprevisível e perigoso”.
Para além disso, lembrou que “hoje em dia sabemos que manter as pessoas com problemas de saúde mental dentro da sua comunidade fomenta muito mais a sua recuperação do que retirá-las do seu meio, mas isso também implica que estas pessoas estejam em contacto com outras que podem não compreender o que se passa consigo e atribuir o seu comportamento a causas erradas ou injustas, daí também a importância de combater a discriminação”.
Rodrigo Pires esclareceu que “a discriminação pode ter vários níveis de intensidade, desde desrespeito, exclusão, bullying, desvalorização ou ridicularização destas pessoas”.
Alertou que “a discriminação pode interferir com a concretização de projetos pessoais, com o acesso a cuidados de saúde ou ao nível da autoestima da pessoa”.
O mesmo psicólogo referiu que “a exclusão social é outra consequência da discriminação e tem implicações graves ao nível da diminuição das condições socioeconómicas”, exemplificando com “situações de desemprego, redes de suporte limitadas ou acesso limitado à educação ou a cuidados de saúde diferenciados”.
Quanto às formas de combater o estigma, Teresa Reis focou que “podemos tomar uma posição pessoal e sempre que testemunhar uma situação de discriminação não ser complacente com a mesma, defendendo a pessoa que está a ser vítima de estigma”.
Evidenciou também que “qualquer pessoa pode juntar-se aos movimentos de defesa dos direitos das pessoas com problemas de saúde mental ou até mesmo dar-lhes suporte financeiro para os ajudar a desenvolver o seu trabalho nas comunidades onde se inserem”.
A esse respeito, a psiquiatra recordou que, “no caso da região de Évora, a MetAlentejo trabalha diariamente para contribuir para a humanização e eficácia dos cuidados prestados às pessoas com problemas de saúde mental e suas famílias, bem como promover condições para a sua reabilitação”.
Constatou ainda que “há formas indiretas que podem ajudar a combater o estigma, como apoiar o desenvolvimento e criação de novas respostas de saúde mental, além de consciencializar e educar os pares para a importância destas questões”.
Na opinião de Teresa Reis, “todos podemos contribuir para o fim da discriminação das pessoas com problemas de saúde mental educando-nos junto de técnicos de saúde e de recursos criados por profissionais competentes e partilhando com os nossos pares qualquer informação pertinente que possa contribuir para a normalização destas questões de saúde”.

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