Autor :Marina Pardal
Fonte: Redação DS
25 Junho 2019
Diferentes modelos de intervenção
Nesta “conversa” um dos pontos salientados foi a existência de diferentes modelos de intervenção. De acordo com Rodrigo Pires, “a psicoterapia é realizada através de um determinado modelo teórico que orienta o profissional no que concerne à origem e manutenção das dificuldades do cliente, fornecendo também as ferramentas necessárias para o ajudar a superá-las”.
Especificou que “não se sabe ao certo quantos modelos existem, embora já alguns autores tenham vindo a público documentar mais de 500 modelos diferentes”, precisando que, “no nosso país, há quatro modelos mais comuns”.
A esse respeito, o psicólogo especificou o “modelo cognitivo comportamental, que defende que o pensamento disfuncional está na base do sofrimento humano, influenciando as nossas emoções, que por sua vez influenciam a forma como nos comportamos”.
Realçou também “o modelo psicodinâmico, que deriva da psicanálise criada por Sigmund Freud e no qual se procura perceber em que medida os motivos que levaram o cliente a procurar ajuda se relacionam com aspetos da sua história de vida”.
Rodrigo Pires evidenciou depois “o modelo sistémico, que defende que o sofrimento tem a sua origem e manutenção nas relações do cliente, sendo as relações familiares um aspeto basilar da saúde emocional de cada um dos seus membros”.
Por fim, frisou “o modelo existencial, que olha para o ser humano e para o seu sofrimento a partir de uma perspetiva filosófica, segundo a qual as dificuldades psicológicas e emocionais são vistas como reflexo de conflitos internos com questões existenciais, isto é, acerca do significado da sua vida”.
Daniel Guerra revelou também que “a psicoterapia é estudada sistematicamente desde o século passado e hoje em dia temos muitos estudos que nos provam que ela é eficaz”, exemplificando que, “de uma maneira geral, sabe-se que uma pessoa que receba psicoterapia está melhor do que cerca de 80 por cento das pessoas na mesma situação que não passam por ela”.
Segundo Rodrigo Pires um dos pontos mais importantes para que alguém possa beneficiar de uma psicoterapia é “a relação que se estabelece entre o terapeuta e o cliente”.
Explicitou que “na relação terapêutica, a pessoa está à vontade para falar sobre as suas dificuldades, desejos e objetivos, ao mesmo tempo que sente que o terapeuta está lado a lado com ela, trabalhando como uma equipa de modo a atingir esses propósitos”.
Por sua vez, Daniel Guerra mencionou que “a psicoterapia surgiu como uma maneira de aliviar o sofrimento mental das pessoas, mas hoje em dia sabemos que ela pode servir outros propósitos que não necessariamente uma visão médica de 'eliminação de doença mental'”.
Como exemplos, referiu “os problemas interpessoais, as crises relacionadas com eventos da vida, as mudanças cognitivas ou as mudanças comportamentais”.
Já na reta final, Rodrigo Pires deu a conhecer um pouco do percurso formativo de um psicólogo, lembrando que “há uma representação meio típica da nossa profissão que algumas pessoas têm, achando que o nosso trabalho é simplesmente 'falar' ou 'dar conselhos' e isso não corresponde de todo à realidade”.
Argumentou que “a nossa formação é um processo relativamente longo, que inicialmente requer uma licenciatura de três anos nos quais o futuro psicólogo tem um contacto intensivo com muitas áreas diferentes da Psicologia para consolidar as suas primeiras competências e possibilitar-lhe fazer uma escolha informada acerca da sua área de especialização, que passa normalmente pela realização de um mestrado”.
Além disso, reforçou que “a nossa profissão está em permanente mudança devido aos avanços científicos e isso requer um estudo constante e preocupação para acompanhar os avanços da nossa área”.