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Telefonia do Alentejo

“Saúde Mental sem Tabus” na RTA

O papel do psicólogo na área clínica

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

25 Junho 2019

Que relação existe entre a Psicologia e a psicoterapia? Será apenas o psicólogo clínico a fazer uso da psicoterapia? E será este o único papel do psicólogo clínico?
Na edição de abril do programa “Saúde Mental sem Tabus”, emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), em parceria com a MetAlentejo – associação para o bem-estar psicossocial da comunidade, foi este o tema que dominou a conversa.
A sessão contou com a participação de Daniel Guerra, psicólogo e presidente da Direção da MetAlentejo, e Rodrigo Pires, também psicólogo nesta mesma associação.
Um dos pontos que foi logo focado por Daniel Guerra foi que “a prática da psicoterapia em Portugal não é exclusiva dos psicólogos, embora noutros países o seja”.
Além disso, acrescentou que “o psicólogo pode também desempenhar outras funções”, exemplificando com “a avaliação psicológica, a consultoria junto de outros profissionais e equipas ou apoiar com os conhecimentos científicos que detém da sua formação o desenvolvimento e aprimoramento de serviços, equipas ou instituições que a si recorram pela sua especialização no comportamento humano”.
E haverá vantagens em recorrer a um psicólogo para realizar psicoterapia? Sendo os intervenientes psicólogos, poderá haver algum “enviesamento nesta resposta”, mas Rodrigo Pires enumerou “algumas mais-valias, sendo que outras profissões também as poderão ter”.
Acrescentou que, “no caso dos psicólogos, defendemos que a vantagem reside na experiência que o saber da Psicologia acrescenta à prática da psicoterapia, nomeadamente, o conhecimento do desenvolvimento psicológico ao longo da vida dos seres humanos, assim como o conhecimento sobre os fatores que influenciam o comportamento humano e que podem ser uma mais-valia no processo terapêutico”.
Não obstante, o mesmo técnico frisou que “um psicoterapeuta certificado em Portugal recebe treino intensivo para conseguir desempenhar o seu papel de maneira eficaz”, considerando que “o mais importante poderá não ser o percurso profissional do terapeuta, mas sim a sua capacidade de criar condições de ajuda durante uma sessão de psicoterapia”.
Uma das questões que mais dúvidas suscita é precisamente aquilo que acontece numa sessão de psicoterapia. Daniel Guerra “desvendou” um pouco desse “mistério”, adiantando que “há profissionais que optam por ser mais estruturados e procuram combinar com o cliente quais são os pontos importantes para falar durante uma sessão, negociando, se necessário, aqueles que são mais urgentes e auxiliando o cliente a lidar com todos”.
Destacou que “há outros terapeutas que assumem uma postura mais aberta e dão liberdade ao cliente para falar de tudo o que desejar durante a sessão”.
A par disso, o presidente da MetAlentejo recordou que “há sempre uma avaliação inicial do cliente e do motivo que o levou a consultar o profissional e caso este motivo esteja ligado a alguma situação indutora de sofrimento, pode inicialmente começar-se por clarificar o que ela é, para que a pessoa tenha uma ideia do que se passa consigo”.
Assegurou que, “eventualmente, o acompanhamento implicará também olhar para a história de vida do cliente e perceber se existe algo que possa ter contribuído para a sua situação atual, porém, a psicoterapia não é focada apenas no passado”, garantindo que “há também uma parte do trabalho que procura ser orientada para o presente e para o futuro”.
Quanto à duração de um processo psicoterapêutico, a resposta não é fácil, alertando Daniel Guerra que “há vários aspetos que podem ter influência, como a complexidade do caso ou o facto de cada pessoa ter o seu tempo e poder responder de uma maneira mais ou menos rápida à intervenção”.

Diferentes modelos de intervenção

Nesta “conversa” um dos pontos salientados foi a existência de diferentes modelos de intervenção. De acordo com Rodrigo Pires, “a psicoterapia é realizada através de um determinado modelo teórico que orienta o profissional no que concerne à origem e manutenção das dificuldades do cliente, fornecendo também as ferramentas necessárias para o ajudar a superá-las”.
Especificou que “não se sabe ao certo quantos modelos existem, embora já alguns autores tenham vindo a público documentar mais de 500 modelos diferentes”, precisando que, “no nosso país, há quatro modelos mais comuns”.
A esse respeito, o psicólogo especificou o “modelo cognitivo comportamental, que defende que o pensamento disfuncional está na base do sofrimento humano, influenciando as nossas emoções, que por sua vez influenciam a forma como nos comportamos”.
Realçou também “o modelo psicodinâmico, que deriva da psicanálise criada por Sigmund Freud e no qual se procura perceber em que medida os motivos que levaram o cliente a procurar ajuda se relacionam com aspetos da sua história de vida”.
Rodrigo Pires evidenciou depois “o modelo sistémico, que defende que o sofrimento tem a sua origem e manutenção nas relações do cliente, sendo as relações familiares um aspeto basilar da saúde emocional de cada um dos seus membros”.
Por fim, frisou “o modelo existencial, que olha para o ser humano e para o seu sofrimento a partir de uma perspetiva filosófica, segundo a qual as dificuldades psicológicas e emocionais são vistas como reflexo de conflitos internos com questões existenciais, isto é, acerca do significado da sua vida”.
Daniel Guerra revelou também que “a psicoterapia é estudada sistematicamente desde o século passado e hoje em dia temos muitos estudos que nos provam que ela é eficaz”, exemplificando que, “de uma maneira geral, sabe-se que uma pessoa que receba psicoterapia está melhor do que cerca de 80 por cento das pessoas na mesma situação que não passam por ela”.
Segundo Rodrigo Pires um dos pontos mais importantes para que alguém possa beneficiar de uma psicoterapia é “a relação que se estabelece entre o terapeuta e o cliente”.
Explicitou que “na relação terapêutica, a pessoa está à vontade para falar sobre as suas dificuldades, desejos e objetivos, ao mesmo tempo que sente que o terapeuta está lado a lado com ela, trabalhando como uma equipa de modo a atingir esses propósitos”.
Por sua vez, Daniel Guerra mencionou que “a psicoterapia surgiu como uma maneira de aliviar o sofrimento mental das pessoas, mas hoje em dia sabemos que ela pode servir outros propósitos que não necessariamente uma visão médica de 'eliminação de doença mental'”.
Como exemplos, referiu “os problemas interpessoais, as crises relacionadas com eventos da vida, as mudanças cognitivas ou as mudanças comportamentais”.
Já na reta final, Rodrigo Pires deu a conhecer um pouco do percurso formativo de um psicólogo, lembrando que “há uma representação meio típica da nossa profissão que algumas pessoas têm, achando que o nosso trabalho é simplesmente 'falar' ou 'dar conselhos' e isso não corresponde de todo à realidade”.
Argumentou que “a nossa formação é um processo relativamente longo, que inicialmente requer uma licenciatura de três anos nos quais o futuro psicólogo tem um contacto intensivo com muitas áreas diferentes da Psicologia para consolidar as suas primeiras competências e possibilitar-lhe fazer uma escolha informada acerca da sua área de especialização, que passa normalmente pela realização de um mestrado”.
Além disso, reforçou que “a nossa profissão está em permanente mudança devido aos avanços científicos e isso requer um estudo constante e preocupação para acompanhar os avanços da nossa área”.

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