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Telefonia do Alentejo

Programa feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública do ACES do Alentejo Central

A atividade física, a Cobertura Universal de Saúde e a vacinação em destaque na RTA

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

25 Junho 2019

O Dia Mundial da Atividade Física e o Dia Mundial da Saúde, a par da Semana Europeia da Vacinação, foram os “protagonistas” do programa de abril, emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central.
A sessão contou com a participação do médico de saúde pública Augusto Santana Brito, da médica interna de saúde pública Ana Beatriz Nunes e da enfermeira especialista em saúde comunitária Rita Leão.
Foi a 6 de abril que se assinalou o Dia Mundial da Atividade Física, com o objetivo de “promover a sua prática e de mostrar os seus benefícios à população”, explicou Augusto Santana Brito.
Mas como podemos definir o que é a atividade física? O médico referiu que, “segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que provoque gasto de energia”, garantindo que “mesmo que muito reduzida, a prática de atividade física é sempre melhor do que a inatividade”.
Quanto à questão de cada vez mais se falar de atividade física, o especialista recordou que “a saúde mundial reflete os efeitos de três tendências internacionais: envelhecimento da população, a urbanização acelerada e não planificada e a globalização”, constatando que “cada uma das quais contribui para ambientes e comportamentos não saudáveis, como por exemplo, o sedentarismo”.
Acrescentou que “como consequência, a prevalência das doenças não transmissíveis, (diabetes, doenças cardiovasculares e as doenças oncológicas), assim como os seus fatores de risco, não param de aumentar”.
Nesse sentido, Augusto Santana Brito adiantou que “a inatividade física constitui o quarto fator de risco de mortalidade em todo o mundo e seis por cento de todas as mortes a nível mundial”, afiançando que “em termos de contribuição para a mortalidade, só é superada pela hipertensão, pelo consumo de tabaco e pela diabetes”.
Para além disso, “a prática regular de atividade física reduz o risco de doenças coronárias e acidentes cerebrovasculares, diabetes tipo II, hipertensão, cancro do cólon, cancro da mama e depressão”, referiu o médico, reforçando que “a atividade física é fundamental para conseguir um equilíbrio energético e controlo do peso”.
No que diz respeito às recomendações da OMS, Augusto Santana Brito disse que “dos 5 aos 17 anos, todas as crianças e jovens deviam realizar atividades físicas diariamente, como jogos ou atividades de educação física; além de exercício intenso, 60 minutos por dia, pelo menos três vezes por semana”.
Já dos 18 aos 64 anos, “dever-se-á acumular pelo menos um total de 150 minutos semanais de atividade física moderada ou, em vez disso, 75 minutos semanais de atividade intensa, ou uma combinação de ambas”, esclareceu.
No caso da faixa etária superior aos 65 anos, as recomendações são semelhantes, alterando-se apenas que “no exemplo dos 75 minutos semanais de atividade, em vez de ser intensa, esta deverá ser aeróbica”, explicitou.
De acordo com o especialista, “para as pessoas com doenças crónicas ou limitação da mobilidade é conveniente manterem-se ativos na medida que a sua saúde o permita”.
Exemplificou ainda que “devemos aproveitar todas as oportunidades que temos para sermos ativos fisicamente, como subir as escadas em vez de usar o elevador, caminhar para o trabalho em vez de usar o carro, realizar tarefas domésticas ou passear a pé”.
Depois da abordagem sobre a atividade física, a conversa centrou-se no tema da Cobertura Universal de Saúde, a propósito do Dia Mundial da Saúde, comemorado a 7 de abril.
Ana Beatriz Nunes realçou que “a Cobertura Universal de Saúde significa que todas as pessoas e comunidades têm acesso a cuidados de saúde de qualidade, de acordo com as suas necessidades e expectativas, sem acarretar risco financeiro para a pessoa”, precisando que “inclui desde a promoção da saúde e prevenção da doença, até ao tratamento, reabilitação e cuidados paliativos”.
Como exemplos, a médica interna de Saúde Pública revelou que “na Cobertura Universal de Saúde estão incluídos os serviços de planeamento familiar e vacinação, de rastreio do cancro colorretal ou do colo do útero e a existência de saneamento básico”, destacando que “estão também incluídos o acesso ao tratamento da tuberculose ou de diabetes, aos serviços de reabilitação pós-AVC ou pós-acidentes de viação e aos cuidados de fim de vida, os cuidados paliativos”.
Além disso, enumerou que “o acesso a medicamentos considerados essenciais, como os medicamentos para a tensão alta, para a diabetes ou para a asma, também faz parte deste conceito”.
No entanto, “a Cobertura Universal de Saúde não implica o acesso gratuito a todo o tipo de intervenções de saúde”, frisou Ana Beatriz Nunes, mencionando que “não inclui cirurgias estéticas de beleza ou massagens de bem-estar, por exemplo”.
Um dos aspetos referidos pela médica interna foi que, “sendo Portugal um país em que o acesso aos cuidados de saúde é universal e tendencialmente gratuito, por via do acesso
ao Serviço Nacional de Saúde, o mais importante em termos de Cobertura Universal de Saúde é manter os ganhos alcançados e responder às necessidades crescentes da população, sem aumentar em demasia os gastos com a saúde”.
Nesse âmbito, constatou que “os cuidados de saúde primários, ou seja, os cuidados prestados no que se costumava chamar de centros de saúde, são a forma mais efetiva e que menos dinheiro gasta para atingir a Cobertura Universal de Saúde em todo o mundo, visto que se centram na pessoa e na família e não apenas na doença”.
Por último, Ana Beatriz Nunes justificou que “apesar dos enormes progressos feitos na área do acesso aos cuidados de saúde, milhões de pessoas no mundo são ainda forçados a escolher entre cuidados de saúde e outras despesas diárias, daí que a OMS tenha escolhido a Cobertura Universal de Saúde como tema central deste Dia Mundial da Saúde”.
Entre 24 e 30 de abril, celebrou-se a Semana Europeia da Vacinação, que este ano teve como objetivo “celebrar os 'Heróis da Vacinação' que diariamente contribuem para a proteção de milhares de vidas, através da vacinação”, evidenciou Rita leão, lembrando que “falamos dos profissionais de saúde que asseguram a administração de vacinas, dos pais/cuidadores que vacinam os seus, das políticas de vacinação que asseguram o acesso equitativo à vacinação ou dos investigadores e de todos os que partilham informações baseadas na melhor evidência científica sobre vacinas”.
A enfermeira assegurou que “a vacinação é um dos meios mais baratos e eficazes de prevenir doenças infecciosas graves e, de acordo com a OMS, as vacinas evitaram pelo menos dez milhões de mortes entre 2010 e 2015 e protegeram muitos milhões de pessoas de doenças como o sarampo, a pneumonia ou a tosse convulsa”.
Outros dados avançados foram que “taxas elevadas de vacinação são imprescindíveis para evitar a transmissão das doenças preveníveis pela vacinação, além de que quanto maior o número de pais que optem por não vacinar os seus filhos, maior é o risco de disseminação das doenças”.
Rita Leão salientou também que “o Programa Nacional de Vacinação (PNV) foi implementado em 1965 e trata-se de um plano universal, gratuito e acessível para todas as pessoas presentes em Portugal”, dizendo que “engloba as vacinas consideradas de primeira linha, isto é, aquelas de cuja aplicação se obtêm os maiores ganhos de saúde”.
Acrescentou que “as vacinas permitem salvar mais vidas e prevenir mais casos de doença do que a maioria dos tratamentos médicos”.
A mesma enfermeira alertou que “a vacinação do indivíduo, além de constituir um ato para proteção da sua vida, constitui também um ato de proteção da comunidade, pois uma elevada taxa de cobertura de vacinação duma população vai impedir a circulação dos agentes infecciosos que provocam as doenças (cria-se imunidade de grupo), levando à erradicação ou eliminação de doenças, como já aconteceu à varíola (declarada erradicada do mundo em 1980), à poliomielite (declarada eliminada da Europa em 2002) e à difteria (sem casos em Portugal desde 1993)”.
Por fim, Rita Leão apontou que “as infeções naturais podem causar complicações graves e mesmo a morte, mesmo para as doenças que a maioria das pessoas considera 'ligeira', como o sarampo”.
Concluiu que “as vacinas, como qualquer outro medicamento, podem causar efeitos secundários, mas estes geralmente são ligeiros, enquanto os sintomas das doenças evitáveis pela vacinação podem ser graves”.

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