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Projeto Alentejo Saúde 2019

Cerca de 70 pessoas assistiram à palestra sobre Doença Inflamatória Intestinal

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

26 Junho 2019

A palestra sobre Doença Inflamatória Intestinal, no âmbito do projeto Alentejo Saúde 2019, aconteceu no dia 4 de abril e juntou cerca de 70 participantes.
A sessão decorreu na Escola Manuel Ferreira Patrício, em Évora, e juntou médicos, farmacêuticos, alunos e ainda uma associação ligada a esta doença.
Recorde-se que o Alentejo Saúde 2019 é apoiado pelo Orçamento Participativo Portugal (OPP), tendo sido o médico interno de Formação Geral, João Figueira, o proponente do projeto.
Lembrar ainda que a gestão e acompanhamento estão a cargo da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) - Direção de Serviço Região do Alentejo; enquanto a implementação cabe à Inforensino - Ensino de Informática.
No final da palestra, as duas médicas gastroenterologistas presentes, Maria Margarida Carvalho e Andreia Rei, deixaram alguns esclarecimentos sobre esta patologia.
Segundo Andreia Rei, “a doença inflamatória intestinal é uma doença crónica, evolutiva, que cursa com inflamação da mucosa intestinal, com períodos de agudização e remissão de sintomas, exigindo uma vigilância médica regular e terapêutica a longo prazo”.
Explicou que “integra duas formas principais de doença, a colite ulcerosa e a doença de Crohn”, frisando que “em fases iniciais ou de evolução da doença podem não estar presentes critérios inequívocos de colite ulcerosa ou doença de Crohn, pelo que podemos ter uma colite indeterminada”.
A mesma médica adiantou que “os sintomas mais comuns de doença inflamatória intestinal são a alteração dos hábitos intestinais, com aumento do número de dejeções e diarreia persistente, por vezes com perdas hemáticas nas fezes, dor abdominal persistente e sintomas constitucionais como febre, perda ponderal e cansaço”.
Esclareceu também que “as causas da doença inflamatória intestinal ainda não são inteiramente conhecidas”, afiançando que “sabemos que para haver inflamação e disrupção da barreira intestinal existe uma interação dinâmica entre diversos fatores, nomeadamente genéticos, ambientais, a influência do conjunto bacteriano que constitui o microbioma intestinal e uma desregulação do sistema imune”.
Andreia Rei focou que “nenhum destes fatores é diretamente causal, não havendo por isso forma conhecida de prevenir a doença, mas existe forma de controlar os sintomas e a inflamação do intestino através de uma vigilância médica e terapêutica adequadas, o que exige uma boa relação de confiança e comunicação entre o doente e o médico gastroenterologista”.
Por sua vez, Margarida Carvalho explicitou que “a escolha do tratamento vai depender da idade e comorbilidades do doente, do tipo e extensão da doença, da existência de fatores preditores de mau prognóstico e de manifestações extraintestinais associadas”.
Realçou que “pode variar desde fármacos mais simples como a messalazina, até fármacos mais recentes como os biológicos”, alertando ainda que, “em alguns casos, pode haver necessidade de um tratamento cirúrgico”.
Na sua opinião, “uma palestra como esta foi importante por ser uma ação de educação para a saúde, promovendo o desenvolvimento de uma população mais informada e mais esclarecida”.
Para Margarida Carvalho, “o facto de ter tido lugar numa escola permitiu o contacto com jovens que no futuro podem vir a ser nossos doentes”, constatando que “serviu também para reforçar o perigo de não valorizar possíveis sintomas de doença inflamatória intestinal”.
A palestra contou também com a participação de duas farmacêuticas da Farmácia Gusmão, Dina Pereira e Margarida Poejo.
De acordo com Dina Pereira, “nós fazemos uma intervenção na comunidade através de rastreios e foi nesse âmbito que o nome da nossa farmácia surgiu no sentido de participarmos nesta sessão”.
Precisou que “como estávamos num ambiente de escola, não seria adequado falar na terapêutica que é mais a nossa área e optámos por apresentar os resultados de um pequeno estudo feito junto dos nossos utentes acerca da doença inflamatória intestinal”.
A mesma farmacêutica reforçou que “fizemos um pequeno inquérito para testar o conhecimento ou a falta dele ou o conhecimento errado acerca da doença”.
Já Margarida Poejo salientou que “contámos com a participação de 50 utentes escolhidos aleatoriamente, entre os 21 e os 82 anos, tendo sido um questionário de escolha múltipla”.
A principal conclusão foi que “as pessoas ouvem falar da doença, principalmente da Doença de Crohn, mas não sabem o que é”, disse, ressalvando que “quem tinha familiares ou quem tinha a doença, como é natural, tinha outros conhecimentos”.
A farmacêutica evidenciou ainda que “um resultado mais geral e obtido em mais de 90 por cento dos casos, foi a importância de se realizarem estas sessões nas escolas”.
A participação de um grupo de alunos da Escola Manuel Ferreira Patrício foi também um momento de destaque na palestra, com a encenação de uma consulta de Gastroenterologia, aproveitando o facto deste estabelecimento estar a assinalar o Dia da Ciência.
A professora de Ciência Naturais Maria João Silva está ligada a um projeto de Educação para a Saúde, o Promosaúde, e explicou um pouco desse envolvimento.
“Como os miúdos trabalham sempre projetos para o Dia da Ciência na base do jogo e da interação, surgiu a ideia de fazer algo criativo e apresentar na palestra, o que lhes permitiu ganhar competências diferentes”, considerou.
Na sua perspetiva, “esta sessão serviu para promover a educação para a saúde, não só para aqueles que participaram mais ativamente, mas também para os que assistiram, contribuindo para cuidarem de si próprios, de forma a viverem melhor e durante mais tempo”.

Uma associação para ajudar
a viver com a doença

Ana Sampaio é presidente da Associação Portuguesa de Doença Inflamatória do Intestino, Colite Ulcerosa e Doença de Crohn (APDI), sendo também uma doente com Crohn. Foi nesses dois papéis que foi oradora desta palestra do projeto Alentejo Saúde 2019.
“Somos uma associação de doentes e familiares de doentes que trabalha com outros doentes, familiares e muitas vezes profissionais de saúde para que estas pessoas, que são diagnosticadas com uma doença crónica, consigam aprender a gerir a sua própria vida e que tenham uma certa capacitação para que nos momentos determinantes cumpram as terapêuticas, façam os exames e ganhem qualidade de vida em termos de poderem trabalhar, terem filhos ou viajar, por exemplo”, descreveu Ana Sampaio.
Em 2019, a APDI está a assinalar 25 anos de existência e apesar de ter sede no Porto, a presidente garantiu que “trabalhamos a nível nacional”.
Revelou que, “em Portugal, existem 20 mil pessoas com doença inflamatória intestinal, sendo a maior parte da incidência entre os 15 e os 45 anos, mas há no nosso país casos diagnosticados em crianças com 8 anos”.
Enquanto doente de Crohn, Ana Sampaio admitiu que “numa fase em que é diagnosticada a doença pode ser uma condicionante e podemos ter de restringir a nossa vida de alguma forma, mas conseguindo controlar a doença com a ajuda de um médico especializado na patologia é possível, com a terapêutica adequada, a ajuda do psicólogo e, por vezes, do nutricionista, ter uma qualidade de vida semelhante à de outra pessoa da mesma idade”.
Falou também da importância da própria pessoa aceitar a doença, até para que os outros compreendam certos comportamentos, exemplificando que “uma pessoa com esta doença tem sempre uma preocupação de saber, mal entra num sítio, onde fica a casa de banho para o caso de uma emergência”.
Alertou ainda que “no caso das crianças, se na escola estivermos perante um miúdo mais irrequieto que está sempre a pedir para ir à casa de banho, isso pode ser um sinal de tem uma doença deste tipo”.
Na opinião de Ana Sampaio, “é sempre importante trazer estes temas à escola, pois não sabemos quantos destes miúdos podem ter ou não a doença, mas também os pode ajudar a aceitarem e a compreenderem casos que possam existir com familiares ou amigos”.
No site www.alentejosaude2019.pt é possível conhecer o projeto em pormenor e o cronograma das ações.

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