Telefonia do Alentejo

“Saúde Mental sem Tabus” na RTA

Importância de avaliar as terapias alternativas

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

07 Outubro 2019

O programa de junho de “Saúde Mental sem Tabus”, emitido na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), em parceria com a MetAlentejo – associação para o bem-estar psicossocial da comunidade, pôs em evidência as terapias alternativas.
Mostrar a diferença entre tratamentos que têm evidência científica e outros que não a possuem foi a “missão” de Daniel Guerra, psicólogo e presidente da Direção da MetAlentejo, e de Rodrigo Pires, também psicólogo nesta mesma associação.
Como é hábito, Daniel Guerra começou por realçar o porquê da escolha desta temática. “Achámos que seria importante falar acerca deste tema, uma vez que não é incomum vermos ofertas de tratamentos psicológicos/psiquiátricos por parte de pessoas que não têm formação enquanto técnicos de saúde”, afirmou.
O presidente da MetAlentejo recordou que “a saúde mental é uma área da saúde que sofre muito com subinvestimento, o que leva a que a criação e melhoria de serviços de saúde mental de qualidade e abertos a todas as pessoas não seja tão rápida e adequada quanto o que nós precisamos”.
Alertou que, “no entanto, estes problemas de saúde são condições que causam sofrimento muito significativo e qualquer pessoa que lide com eles procurará a ajuda que estiver ao seu alcance, fazendo com que acabe por estar exposta a estas práticas que por várias razões, não sabemos se são verdadeiramente úteis”.
Segundo o psicólogo, “em alguns casos, a ajuda pode até revelar-se eficaz, noutros pode não mudar nada na vida da pessoa, mas também não é verdade dizer que não podem advir consequências negativas dos tratamentos, até porque pode estar a adiar a procura dos verdadeiros cuidados de saúde mental”.
Constatou que “se tivermos que comparar um tratamento que é muito estudado e um sem estudos de eficácia, mais provavelmente poderão resultar problemas de algo que não sabemos muito bem o que é e o que faz, do que de algo que foi estudado a fundo e com rigor por muitas pessoas diferentes”.
Daniel Guerra garantiu que “não é nossa intenção fazer uma condenação das entidades que estão associadas a estas práticas, contudo, sentimos que enquanto profissionais de saúde temos o dever de alertar as pessoas para o facto de que existem cuidados de saúde apropriados a que devem recorrer sempre que tiverem algum sinal de problemas ou dificuldades associadas à sua saúde mental”.
Alertou ainda que “quando estamos perante uma situação em que não sabemos bem que ajuda nos está a ser dada, podemos e devemos desconfiar”, reforçando que “sempre que possível, se tivermos alguns destes sintomas podemos dirigir-nos aos técnicos de saúde mental mais próximos e consultá-los acerca do que se passa connosco”.
De acordo com o presidente da MetAlentejo, “a Psiquiatria e a Psicologia clínica distinguem-se destas outras práticas de que falamos precisamente porque podem ser estudadas de forma rigorosa”.
Exemplificou que “um modelo psicoterapêutico pode ser estudado durante décadas a fio para se perceber se efetivamente é útil para ajudar pessoas com determinados problemas de saúde mental”.
O mesmo psicólogo frisou que, “em contrapartida, as práticas sem evidência não são uma coisa que aparece de uma área em concreto”, explicando que, “essencialmente, são terapias que fazem promessas muito ambiciosas de terem o potencial de ajudar pessoas a aliviar o seu sofrimento ou a alcançar os seus objetivos, mas tudo é feito sempre sem provas de que conseguem de facto fazê-lo”.
Relembrou ainda que, “muitas vezes, usam testemunhos de outras pessoas como prova, mas isso nunca pode ser uma prova científica e de confiança”, alertando, mais uma vez, de que “são muito incertas e podem contribuir para manter ou até piorar o sofrimento da pessoa que as procura”.
Mas como perceber se uma determinada terapia é de confiança? Rodrigo Pires destacou que “será sempre aconselhável procurar um técnico de saúde mental que esteja integrado numa instituição de saúde pública, pois é nesse tipo de instituições que as pessoas com formação superior adequada exercem a sua prática”.
Para além disso, evidenciou que “se a pessoa tiver dúvidas pode sempre pedir mais informações ao técnico sobre a sua forma de trabalho”.
O psicólogo sugeriu ainda que “poderá utilizar a internet para fazer uma pesquisa sobre as terapêuticas mais utilizadas para determinados problemas de saúde mental, para perceber o que são, em que consistem e qual a sua eficácia”.
No entanto, lembrou que “é importante ter como referência entidades que sejam de confiança”, exemplificando com “a Organização Mundial de Saúde, a Ordem dos Psicólogos, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Enfermeiros ou o Ministério da Saúde”.
Rodrigo Pires mencionou ainda que “as terapias sem evidência científica podem usar nomes mais técnicos ou elaborados, como prefixos ou sufixos para passar uma ideia de sofisticação e ciência”, apontando, por exemplo, “termos como 'neuro', 'quântico', 'bio', 'cognitivo', 'programação/reprogramação', 'resignificação' ou 'estimulação'”.
Um dos aspetos que focou foi que “mesmo que alguém melhore com este tipo de terapia, não há provas científicas que atestem que isso aconteceu mesmo devido a essa terapia, além de que pode ser um caso excecional ou até pode ter melhorado por ter a sensação de que o que lhe estão a oferecer vai ajudá-la”, sublinhando, mais uma vez, “a importância de serem feitos estudos científicos rigorosos”.
No final do programa, o psicólogo recordou que “às terceiras quartas-feiras de cada mês, realizamos os 'Diálogos sobre Saúde Mental', um evento aberto a todos os interessados para conversar sobre temas de saúde mental”.
Assim sendo, “o próximo encontro vai acontecer no dia 19 deste mês, às 18 horas, e o tema vai ser a promoção da saúde mental”, adiantou Rodrigo Pires.
Mais informações sobre esta e as outras atividades da MetAlentejo, podem ser obtidas na sede da associação (ao lado do parque de estacionamento em frente ao Hospital do Patrocínio), às segundas-feiras, entre as 10 e as 13 horas.
É ainda possível contactar a MetAlentejo por telefone, através do número 266 092 141, ou pelo email geral@metalentejo.pt

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