Telefonia do Alentejo

Programa feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública do ACES do Alentejo Central

O aleitamento materno, o mosquito e a igualdade feminina ganham “voz” na RTA

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

07 Outubro 2019

A Semana Mundial do Aleitamento Materno, o Dia Mundial do Mosquito e o Dia Internacional da Igualdade Feminina foram as temáticas escolhidas em agosto para o programa da Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central.
A sessão contou com a participação da enfermeira Rita Leão, da técnica de Saúde Ambiental Márcia Marques e da médica interna de Saúde Pública Ana Beatriz Nunes.
Foi entre 1 e 7 de agosto que se assinalou a Semana Mundial do Aleitamento Materno, “comemorada anualmente em mais de 170 países, com o objetivo de encorajar esta prática e fomentar a saúde dos recém-nascidos de todo o mundo”, destacou Rita Leão.
Acrescentou que, “em 2019, esta efeméride teve como tema «Emponderar mães e pais, favorecer a amamentação»”, adiantando que “a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Unicef e outros parceiros pretenderam promover a importância de políticas favoráveis à família para permitir a amamentação e ajudar os pais no relacionamento com os filhos no início de vida”.
Segundo a mesma enfermeira, “a amamentação promove uma melhor saúde, tanto para as mães, como para as crianças”.
Especificou que “aumentar o aleitamento materno para níveis quase universais pode salvar mais de 800 mil vidas a cada ano, sendo a maioria crianças menores de 6 meses”.
E o que tem de tão importante o leite materno? “É um alimento vivo, completo e natural, recomendado em exclusivo para a alimentação do lactente, que deve começar na primeira hora após o nascimento e que deve continuar até o bebé completar seis meses de idade”, explicou a mesma enfermeira.
Frisou que, “após os 6 meses, é necessária a introdução de outros alimentos, tais como as sopas, a fruta e as papas, de forma gradual”, focando que “recomenda-se, sempre que possível, manter a amamentação até pelo menos aos 2 anos de idade”.
As vantagens são muitas e a vários níveis, nomeadamente para o bebé, a mãe, a família e até o ambiente.
Rita Leão exemplificou que “o leite materno é um alimento natural, com elevada riqueza nutricional, permitindo um crescimento e desenvolvimento saudáveis do bebé; previne o aparecimento de infeções gastrointestinais, respiratórias e urinárias; protege de algumas alergias; confere maior proteção contra vírus e bactérias; previne o aparecimento futuro de algumas doenças, como a diabetes ou a obesidade; entre outras vantagens”.
Enumerou também as mais-valias para a mãe. “O leite materno é prático, sem necessidade de preparação, aquecimento ou desinfeção; promove uma recuperação rápida do corpo da mãe após o parto; associa-se a uma menor probabilidade de aparecimento de cancro da mama, cancro do ovário ou doenças cardíacas; ou cria uma melhor ligação emocional entre a mãe e o bebé, o que garante uma maior estabilidade da criança”, realçou.
A enfermeira disse ainda que “permite uma maior gestão de custos; facilita as deslocações e, por não ser necessário recorrer a embalagens, utensílios ou gasto de energia, tem vantagens a nível ambiental”.
Durante a conversa deu ainda alguns conselhos que podem ajudar no aleitamento materno, como “o posicionamento correto do bebé; amamentar sem horário rígido; o bebé deve esvaziar a mama e só se não ficar satisfeito passar para a outra ou evitar a chupeta no período de estabelecimento da lactação (primeiros 15 a 30 dias de vida)”.
Alertou também para eventuais dificuldades ou complicações que podem surgir durante a amamentação, como “mamas ingurgitadas, mastite ou mamilo doloroso”, lembrando a importância de “procurar ajuda especializada”.
Perceber se o bebé mama o suficiente é uma dúvida que paira entre as mães. Rita Leão referiu que “existem alguns sinais que o indicam, como o bebé ficar confortável e tranquilo após a mamada; a mama ficar vazia e mole após a mamada; ou o aumento de peso, que, geralmente, a partir da primeira semana é de cerca de 15 a 30 gramas por dia”.
De acordo com Rita Leão, “tendo em conta alguns estudos efetuados em Portugal, mais de 90 por cento das mães amamentam o seu filho nos primeiros dias do bebé e durante o primeiro mês de vida; ao fim de 3 meses, a percentagem de mães que amamenta desce para cerca de 50 por cento; e aos 6 meses apenas cerca de 35 por cento das mães dá leite materno aos seus filhos”.
Por sua vez, a técnica de Saúde Ambiental Márcia Marques abordou um tema completamente diferente e debruçou-se sobre o Dia Mundial do Mosquito, assinalado a 20 de agosto.
“O objetivo é informar as pessoas das causas e da forma de combater doenças transmitidas por mosquitos, como por exemplo malária, dengue, Chikungunya, Zika, febre-amarela ou west nile”, focou, adiantando que “o mosquito é considerado o animal mais perigoso porque pode causar doenças que continuam a matar anualmente dois milhões de pessoas pelo mundo”.
Márcia Marques recordou que, “além dos perigos decorrentes das doenças que transmite, há ainda o fator da alergia à picada dos mosquitos, que muitas pessoas têm”.
No entanto, a mesma técnica evidenciou que “existem cerca de 3500 espécies e subespécies de mosquitos identificadas em todo o mundo, mas apenas uma pequena parte pica ou incomoda os seres humanos”, assegurando que, “como qualquer outra espécie, ele faz parte do ecossistema e tem a sua importância do ponto de vista ecológico”.
Um dos pontos especificados foi como é que o mosquito transmite estas doenças. “Em quase todas as espécies de mosquito, a fêmea precisa de uma proteína presente no sangue dos vertebrados para o desenvolvimento dos seus ovos, a albumina, para completar o seu processo reprodutivo”, explicitou, mencionando que “o problema é que as pessoas e animais ao serem picados podem ser infetados com vírus, bactérias, protozoários e vermes filariais, que tenham infetado o mosquito ao picar alguém infetando”.
Márcia Marques frisou que “a fêmea põe os ovos na água e todo o desenvolvimento larvar do mosquito acontece na água, daí que uma das formas de controlo seja precisamente a eliminação dos criadouros, as águas estagnadas, como fontanários, piscinas, vasos, pneus, latas e outros recipientes”.
Alertou que, “apesar das doenças transmitidas por mosquitos terem um peso muito maior nas regiões tropicais, porque têm condições climáticas mais favoráveis para o mosquito nessas áreas, sempre houve casos e epidemias na Europa”, sustentando que “as principais causas da propagação de mosquitos são o aumento do comércio global e as deslocações de seres humanos”.
A técnica de Saúde Ambiental sublinhou que, “de uma forma geral, os sintomas destas doenças manifestam-se três a 14 dias após a picada de um mosquito infetado e são mal-estar geral, dor de cabeça, febre, fraqueza, falta de apetite e dor retro-orbital (em redor dos olhos, sendo que quando se identificam estes sintomas, devemos falar da picada do mosquito ao médico”.
Quanto às formas de controlar a presença de mosquitos, destacou “a eliminação de criadouros, embora o controlo biológico seja difícil e raro, existindo ainda o uso de inseticidas químicos, o qual é menos consensual e aplicado apenas em casos especiais”.
Assim sendo, Márcia Marques recomendou que “podemos proteger-nos das picadas usando roupas compridas e claras, usar repelente, evitar os horários em que estão mais ativos (entardecer e amanhecer) ou colocar redes mosquiteiras”.
Por fim, a médica interna de Saúde Pública Ana Beatriz Nunes falou sobre o Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado a 26 de agosto”.
Assegurou que “este dia comemora-se em alusão à ratificação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que teve lugar a 26 de agosto de 1789, em França, e que, na sua versão original, o artigo 1.º defendia a igualdade entre cidadãos, enunciando que «os Homens nascem e são livres e iguais em direitos»”.
Contudo, lamentou que “passados 230 anos, as nossas sociedades permanecem profundamente desiguais e discriminadoras no que se refere ao género”.
Nesse sentido, Ana Beatriz Nunes garantiu que “este dia pretende, por um lado, celebrar a igualdade e as conquistas das mulheres na sociedade ao longo da história e, por outro, sensibilizar e encorajar o combate às desigualdades de género que ainda persistem”.
Na sua perspetiva, “apesar de hoje em dia a mulher ter um papel mais pleno na sociedade, sobretudo nos países ocidentais, em Portugal, por exemplo, continuam a existir desigualdades a vários níveis”.
Segundo a mesma médica interna, “é na área da distribuição das tarefas familiares, na segregação e remuneração do mercado de trabalho e no acesso às tomadas de decisão, particularmente nos campos económico e político, que Portugal é mais desigual para as mulheres”.
Realçou que, “no que diz respeito à saúde, apesar das mulheres continuarem a apresentar uma esperança de vida à nascença superior à dos homens, os anos de vida saudável à nascença são superiores nos homens”.
Por outro lado, Ana Beatriz Nunes considerou que “o nosso país é bastante igualitário no que se refere ao acesso a recursos financeiros e produtivos, bem como à educação”.
Na sua opinião, “apesar de nos podermos orgulhar de vivermos num país que defende legalmente a igualdade de género, é ainda necessário consolidar a efetivação dessa igualdade nas práticas e atitudes da população portuguesa”.

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