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Mulheres e homens que testam o limite físico

Alentejanos “D’aço”

Correm dias inteiros. Pouco ou nada dormem; Nadam distâncias impensáveis; Levam ao limite a resiliência humana.

Fonte: Redação

26 Outubro 2017

Com poucas horas de distância e separados por centenas de quilómetros, tanto Ana Vieira Lopes como José Garcez conseguiram, recentemente, feitos desportivos surpreendentes. Não que tenham batido recordes mundiais, mas porque, uma vez mais, levaram a condição física de um ser humano até ao limite do racionalmente aceitável.

A Ana Vieira Lopes, em representação da Escola de Triatlo de Santo António, foi a primeira mulher eborense a completar um triatlo de longa distância, no Ibericman (Campeonato Ibérico da especialidade), prova que se disputou entre o Algarve e a Andaluzia (Espanha), conseguindo um extraordinário segundo lugar da Classificação Geral e a “medalha de ouro” para atletas entre os 45 e os 49 anos.

A atleta eborense nadou em alto mar 3,9 quilómetros, percorreu 180 quilómetros em cima de uma bicicleta e, cereja no topo do bolo, terminou a competição com uma Maratona (42,1 quilómetros). Fácil? Foi um total de competição superior a 13 horas. “Faço o que gosto e com o apoio de quem gosto”.

“Objetivo agora é tornar-me sólida na distância. Em junho 2018 vou fazer o Northwest Triman, na Galiza, ou seja, enquanto o corpo e o tempo permitirem penso fazer pelo menos uma longa distância por ano, e talvez um dia arriscar o duplo”, revela esta mãe de três filhas.

Há hora que Ana Vieira Lopes cortava a meta, no sábado (21 de outubro), em Monte Gordo, ainda José Garcez ia a meio da sua aventura de 25 horas a percorrer os trilhos únicos e mágicos da Serra da Lousã, no Ultra Trail das Aldeias do Xisto (UTAX), boa parte delas de noite… . “A noite não é o problema principal, até porque inconscientemente os atletas vão-se reagrupando conforme o ritmo. Acho mesmo que é o fator de união e de ajuda que temos no trail que nos permite superar as dificuldades”, refere.

Foram mais de 100 quilómetros de uma prova que começou às 00h00 de sexta-feira e que terminou para o atleta dos Évora Night Runners perto da uma da manhã de domingo. “Como eu divido os trails grandes por pontos de abastecimento o alento é sempre chegar ao próximo ponto”, revela. “Nas provas com mais de 100k nunca sabemos se acabamos ou não. Acho que é esse fator de imprevisibilidade que eu gosto. Testar até onde consigo chegar. Mas não existe lugar para sofrimento, só cansaço do bom”, frisa.

“Para mim não é nem nunca foi um teste à resistência. Não corro para provar nada a ninguém nem a mim mesmo. Corro só mesmo pelo prazer de o fazer e para conhecer novos locais, novas pessoas e desfrutar de tudo o que a montanha tem para nos oferecer”, esclarece este informático.

33 Horas a correr

Entretanto, no passado dia 8 de outubro, mais dois alentejanos, um de Portalegre e outro de Évora, nomeadamente João Artur Tomás e Ricardo Cunha, estiveram em grande ao completar, em 33 horas, em regime de semi autossuficiência, o ultra trail que atravessou o Cume do Atlas Toubkal (Marrocos), naquele que é um dos pontos mais altos do Norte de África.

Foi mais de um dia e meio de sofrimento, em que não faltaram sangue, suor e lágrimas e pouquíssimas horas de sono. “É verdade que as alucinações foram algo que me assustou, hoje brinco com isso, mas é muito sério, principalmente quando estamos em alta montanha, sem saber onde nos encontramos e sem comunicações”, relata João Artur Tomás.

“Há algum medo, mas eu gosto de pensar que o medo é uma das minhas defesas no ultra distâncias. Faz com que os nossos sentidos estejam permanentemente em alerta”, frisa, mencionando posteriormente: “acho que o fator psicológico é o essencial para terminar uma prova que implica sofrimento e angústia. A condição física e a resistência à dor são fundamentais para cruzar a tão desejada meta. Posso afirmar que o que me leva a testar a minha resistência talvez seja o facto de nunca ter sido forçado a desistir por falta de força, talvez no dia em que isso suceder, aí sim, possa dizer que os meus limites foram excedidos e vou ter de treinar mais”.

Homem de Aço

O feito destes super atletas não é novidade no seio da comunidade alentejana. São muitos aqueles que, em representação do Santo António, dos Kainágua ou em nome individual, já terminaram as chamadas Ironman, provas que levam ao limite a resistência humana.

Contudo, a maior proeza de um eborense foi protagonizada, este verão, por José Massuça que completou o EPIC 5 Challenge. O antigo praticante de andebol concluiu a mítica prova de ultra-resistência de Triatlo, que decorreu no Havai, durante cinco dias seguidos, em cinco ilhas. Foram cinco provas de 3,8 km de natação, 180 km de bicicleta e uma maratona (42 km) por dia. No total, 19 km a nadar, 900 a pedalar e 210 km a correr.

Aos 46 anos, José Massuça foi o primeiro português a completar os cinco Ironman, descansando apenas enquanto viajava de ilha para ilha.

Num desafio que se disputa desde 2010, duas vezes por ano, e onde só se entra por convite e curriculum, estes “super-homens” e “supermulheres” fizeram, em cinco dias seguidos, nas principais ilhas havaianas (Kauai, Oahu, Molokai, Maui e Kona), 19 km a nadar, 900 a pedalar e 210 a correr. O total é igual a 1,129 quilómetros de uma aventura que decorreu entre os dias 5 e 10 de setembro.

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