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Investigação

Avião que aterrou em Beja pode nunca mais voar

O avião da Air Astana que aterrou de emergência em Beja, depois de ter andado desgovernado nos céus do Alentejo terá registado erros na manutenção, segundo a investigação. Terá havido cabos que ligam aos ailerons aos comandos trocados na intervenção feita nas oficinas das OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal de Alverca.

Autor :Roberto Dores

19 Novembro 2018

Segundo a investigação que está a ser realizada, é possível que o aparelho não volte a levantar voo, em consequência de ter excedido a força em algumas manobras que serviram para minimizar a oscilação da aeronave, quando o aparelho andava às voltas sem controlo, subindo e descendo, o que impôs uma carga muito elevada à estrutura, segundo admitem os investigadores. Daí que o avião possa estar "condenado" ao desmantelamento.
A investigação está a ser feita pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e pela a Embraer, o construtor do avião da Air Astana, enquanto há representantes das OGMA presentes, mas apenas como assistentes.
O primeiro relatório do gabinete indica que assim que o avião descolou começaram os problemas, já que o aparelho não correspondia. A tripulação tentou tudo para perceber o que se passava de tão estranho, sem conseguir, por exemplo, ligar o piloto automático.
Segundo o gabinete, a tripulação, “usando todos os recursos de controlo da aeronave nos seus três eixos, tentou imediatamente contrariar os movimentos sem, no entanto, perceber a causa da instabilidade do voo e sem conseguir ativar o piloto automático”, diz, acrescentando que ao perceberem que "estavam sem controlo efetivo da aeronave, [os elementos da tripulação] apenas minimizavam com muito esforço o movimento oscilatório da aeronave, tendo imposto cargas estruturais elevadas em algumas recuperações”, explica a investigação.
A tripulação declarou “de imediato emergência enquanto tentava diagnosticar a causa das atitudes anormais da aeronave” e “lutava para obter o controlo da mesma, sem indicações de falhas nos sistemas” do avião.
Por várias vezes o aparelho ficou fora de controlo, tendo a tripulação chegado a pedir para amarar na zona da Comporta. Mas acabou por não levar a ideia em frente, porque, alegadamente, não o terá conseguido em face do descontrolo do aparelho.
Só quando os pilotos passaram o sistema de comandos para modo direto é que a viagem melhorou. A tripulação conseguiu aí manter a aeronave nivelada até chegar a Beja, que apareceu como a melhor solução, depois da hipótese Faro.
Guiados pelos F16, os pilotos conseguiram pousar à terceira tentativa, mas não na pista que lhes estava destinada. Ou seja, a ordem era para aterrar na pista 19 direita, mas acabaram para pousar na esquerda, porque a aeronave foi arrastada até lá.
O gabinete que investiga a aeronave diz - nas primeiras conclusões - que terá havido falhas na configuração do sistema de controlo de pranchamento da aeronave na manutenção a que o avião foi sujeito nas OGMA. Significa isto que durante a manutenção alguém pode ter falhado, segundo os investigadores, que vão continuar a passar a aeronave a pente fino durante os próximos meses.
Desde que o avião aterrou em Alverca para ser reparado, conhecer todos os detalhes de manutenção, entrevistar todos os envolvidos e rever todas as escolhas da tripulação. A partir da descolagem em Alverca até à pista de Beja.

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