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Geólogo da UÉ alerta para exploração integrada das pedreiras

“É preciso acabar com a manta de retalhos para evitar desmoronamentos”

Muitas questões sobre as verdadeiras causas do deslizamento de terra na estrada 255, que liga Borba a Vila Viçosa, estão a ser levantadas. O “Diário do Sul” foi perceber junto do geólogo Luis Lopes e diretor do Departamento de Geografia da Universidade de Évora o que pode ter estado na origem desta situação.

Autor :Nota de Imprensa

23 Novembro 2018 | Publicado : 11:29 (23/11/2018) | Actualizado: 11:34 (23/11/2018)

O especialista aponta para o facto das pregagens que seguravam o talude da pedreira terem cedido devido a
fenómenos naturais como a chuva. O geólogo afirma não ter dúvidas de que algo semelhante possa voltar a acontecer, lembrando que esta já é a terceira situação com quedas de grandes massas nesta zona.
O diretor do Departamento de Geociências da Universidade de Évora explica que foi solicitado para estudar um pedido da empresa que está a laborar e onde ocorreu o acidente para verificar a estabilidade do talude para o lado da estrada. “A ideia era ver se poderiam continuar a trabalhar para não correr o risco do talude cair. Fomos para o terreno, fizemos as nossas leituras das fraturas, análises à massa que está envolvida e apontámos as soluções”, conta.
O geólogo salienta que fizeram um relatório em 2008, foi atualizado em 2013 e em 2015 e foi concluído que “para a empresa continuar a explorar, havia massas nas quais não poderiam mexer porque estavam a proteger o talude da queda”. Luis Lopes afirma que, pelas imagens que viu, uma vez que ainda não foi ao local, diz acreditar que
tenham feito o que foi aconselhado. E acrescenta: “Indicámos igualmente que teriam que fazer umas pregagens para consolidar o resto do talude. Eu faço fé que tenham implementado essas medidas”.
Perante o acidente, o especialista pensa que o empresário fez a consolidação de uma fratura que estava visível e identificada com recurso às pregagens, como havia sido indicado. “A mim, parece-me que o que caiu foi precisamente a parte que estava pregada, isto é, foi por essa fratura que ocorreu o deslizamento”. Porquê? “Talvez por toda esta chuva que foi caindo que aumentou a carga e foi fazendo com que ocorressem
movimentos, acabando por ultrapassar a resistência do que tinha sido feito”.
Luis Lopes foi mais longe e adianta não ter dúvidas sobre que algo de semelhante volte a acontecer porque “esta já é a terceira situação com quedas de grandes massas e basta que haja um sismo, já não estou a falar de um como o de 1969, para que muitas destas situações possam replicar-se”.

Exploração integrada das pedreiras pode evitar acidentes 

O geólogo alerta para o facto de existirem muitas cavidades nesta zona para além dos 80 metros. Na sua opinião, está na altura de pensar-se numa exploração integrada para que não tenhamos poços ao lado de poços. “É preciso conectar as várias pedreiras e ter uma exploração em área e não em poço. Nós circulamos pela região, no meio das pedreiras e andamos em estradas que de um lado temos uma cavidade de 80 metros e do outro está outra com outros tantos metros. É como se tivéssemos uma manta de retalhos”. Daí, defender que deve começar-se a explorar em área porque a partir daí já “evitamos todos estes riscos de queda e de desmoronamento”.

O diretor do Departamento de Geociências de Universidade de Évora avançou que a ideia é eliminar essas pontes de exploração, anulá-las e aumentar as pedreiras em área. É óbvio que isso implica uma mudança de mentalidades entre empresários, “fazendo com que olhem para quem está ao lado como parceiro e não como concorrente”.
A necessidade de elaboração de um plano de exploração integrada com vista ao interesse de todos, nomeadamente ao nível das questões de segurança, é para o especialista em geologia decisivo.
O deslizamento de um grande volume de terra que ocorreu na passada segunda-feira à tarde provocou a deslocação de uma quantidade muito significativa de rochas, de blocos de mármore e de terra para o interior de uma pedreira.
O acidente provocou duas vítimas mortais, operários da empresa que explora a pedreira, e um número por apurar de desaparecidos. De acordo com a agência Lusa, até ao momento do fecho da edição, dois homens residentes em Bencatel, concelho de Vila Viçosa, estavam desaparecidos, bem como um homem de 85 anos que residia no
Alandroal. As participações foram feitas pelos familiares à GNR tendo afirmado que todos se tinham deslocado a Borba e a Vila Viçosa.

Proteção Civil considera operações “morosas e difíceis”

Ontem, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se ao local numa visita que durou apenas 15 minutos e sem prestar declarações aos jornalistas.
Segundo o comandante distrital de operações de socorro de Évora, José Ribeiro, estão confirmados dois mortos, operários da empresa que explora a pedreira. O comandante distrital de Évora da Proteção Civil afirmou que foram iniciadas as drenagens de águas da pedreira e a utilização de equipamento para detetar viaturas submersas, sustentando a “complexidade” das operações em curso que se esperam que sejam “morosas e difíceis”.

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