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Roazes corvineiros entre Troia e Comporta

Porque é que os golfinhos preferem o Sado?

Fonte: Redação: Roberto Dores

07 Agosto 2017

A população de roazes corvineiros permanece nas águas do Sado, onde se continua a reproduzir, por se tratar do estuário mais rico em vida marinha de Portugal. É o que indicam os estudos científicos, admitindo que os animais, de muito alimento, encontram por aqui o que precisam para sobreviver. Aliás, os investigadores acreditam que a comunidade de roazes já habita o Sado há muito tempo. Talvez desde a passagem dos romanos por Troia.

Já no ano passado a descendência voltou a ser reforçada, com o nascimento de duas novas crias - uma das quais terá morrido, embora não haja confirmação oficial - aumentando para 28 (seis crias, quatro juvenis e 18 adultos) o número de golfinhos no estuário, permitindo inverter ligeiramente a tendência de declínio registada entre as décadas de 80 e 90 como consequência da elevada mortalidade infantil.

Raquel Gaspar, a bióloga que há largos anos estuda a comunidade de golfinhos sadina dá conta de “dois grandes habitats” para os roazes corvineiros, reportando-se aos recifes rochosos, que funcionam como zona de berçário e às pradarias marinhas que percorrem o estuário. Já subiram o rio até Alcácer do Sal na década de 60, mas a poluição afastou-os de lá e passaram a ficar por Troia e Comporta.

Os primeiros estudos da população destes cetáceos datam do início dos anos 80. Nessa altura contaram-se perto de 40 golfinhos, mas enquanto nos anos 90 o número de roazes manteve uma média de 30 indivíduos, em 2005 a população ficou reduzida a apenas 22.

Os mesmos estudos permitem concluir que o aumento de exemplares verificado desde 2010 poderá estar relacionado com o facto de se ter deixado de registar a emigração de alguns animais desta população, a par do sucesso reprodutor deste grupo. Os especialistas admitem duas hipóteses: Ou o habitat menos poluído está a ser determinante ou a população recuperou da patologia que afetava a pele das crias, entre os anos 80 e 90, provocando extensas feridas e a morte dos animais.

A taxa de sobrevivência das crias passou a superar os 80%. Isto é, entre 1998 e 2005, nasceram 14 crias e apenas três ficaram na população. Entre 2010 e 2016 nasceram dez e nove sobreviveram, tendo morrido apenas Sapal, nascido em 2013.

Mas seria a morte de um dos mais antigos exemplares da população que mais marcou os amantes dos golfinhos. O célebre Asa, o mesmo que nos anos 90 voou no helicóptero da Força Aérea sobre Setúbal numa operação de salvamentoo após ter dado à costa, morreu em agosto de 2015 com mais de 40 anos. A esperança média de vida cifra-se nos 50.

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